quarta-feira, junho 30, 2010

Junho vai se esquivando. Na falta da guerra de espadas da minha cidade, uma procissão de guarda-chuva para São Pedro na Avenita Sete. Quando Jesus passar, eu estarei no meu lugar. Pessoas sorridentes tocando com dedos o filó azul, que era o mar delas. Ao invés da guerra de espadas, a paz de copas. Eu acompanhei a procissão, com meu guarda chuva azul e o meu vestido de cassa bordada, quadriculado verde, amarelo e branco, que o querido David diz que parece uma toalha de mesa. E o vestido fica mesmo lindo com minha bolsa nova de palha, lá do Santo Antônio, toda colorida horizontalmente, toda arcô. Irisante. Sandália de Seu Expedito e eu sou uma quadrilha, uma árvore de natal, a Rainha do Milho, uma alegria na passarela.
Ai, junho...como gosto de ti!
E não há imagem para isso tudo.

terça-feira, junho 08, 2010

acontecimentos juninos



Para mim, são sempre especiais as coisas que acontecem neste mês de junho. Ao lado de dezembro, que abriga as festas jesuínas e o meu aniversário, são os dois meses que gosto mais. E hoje, duas queridas pessoas estão envolvidas em acontecimentos públicos: David Glat, com suas Pérolas Imperfeitas, tendo abertura de exposição em Fortaleza (Espaço Multiuso) e Ney Wendell, que lança o seu primeiro livro sobre teatro e educação na Escola de Teatro da UFBA. Mãe Nonana está em festa! Para os dois: forró, canjica, amendoim e toda fartura do mundo.

domingo, abril 25, 2010

primeira audição


Nesta segunda-feira, dia 26, o projeto de literatura PRIMEIRA AUDIÇÃO, idealizado pelo escritor e editor Claudius Portugal, inaugura na Livraria Tom do Saber (na pirâmide do Rio Vermelho),às 19:45h.

Um escritor lê trechos do seu próximo livro e depois troca figurinhas com quem o ouve.

E serei eu a primeira convidada a ler.

A idéia é que os amigos e leitores presentes possam assistir à PRIMEIRA AUDIÇÃO de um texto que ainda está sendo criado.

Mais do que falar, será bom ouvir o que terão a dizer sobre este meu segundo romance, que, por enquanto, é só um rabisco chamado "Pia". Uma estória de amor. Um conto de fadas. Uma fábula. Qualquer coisa assim.
Um bom pretexto para um encontro.
Aguardo feliz como o gato na janela do Cortazar.
O que estaria o grande homem a dizer?

quinta-feira, abril 22, 2010

butoh-ma


Ando apreciando e dançando os movimentos do Oriente: o sol quando fica claro e o sol quando fica escuro. E por isso estive com o Tadashi Endo alguns dias em São Paulo dançando um trânsito, um estar entre a sombra e a luz.

Agora ele está pela primeira vez em Salvador com os espetáculos Butoh-Ma e Ikiru, este último em homenagem a Pina Bausch. É imprescindível vê-lo.

Nos dias 24 e 25 de abril, no Teatro Vila Velha, às 20h. Na programação do www.festivalvivadanca.com.br

sábado, abril 10, 2010

quero ser um grupo de teatro


uma vontade que veio quando vi que já não quero trabalhar com quem não gosto, com quem não compartilha do mesmo sonho, com quem traz fórmulas prontas para a emoção, com quem age como estrela quando ainda é meteoro: há sempre o risco do brilho forte ser passageiro.

um desejo que cresceu depois da minha experiência como debatedora num festival de teatro em alagoas, um estado onde basicamente quem faz teatro está num grupo. quero ter um grupo de teatro...

...tão simples assim... um grupo de pessoas boas e encantadas que se encontrem muitas horas do dia para ensaiar muito no intuito de deixar o espelho bem limpo para refletir o que há de melhor: a beleza.
Flor, minha flor, flor vem cá.....
Flor, ó minha flor, lará lará lará.....
foto: uma cena de teatro do grupo clowns de shakespeare, do rio grande do norte.

terça-feira, março 23, 2010

guimarães rosa: escritor e vaqueiro

Por parte de pai, sou a neta mais velha de uma família muito numerosa. Certa feita, uma velhinha me abordou emocionada no meio da feira para dizer que eu era idêntica a uma amiga dela de infância. Perguntando o nome do meu pai, ela se emocionou mais ainda porque eu era realmente parente da amiga dela, a Isabel, minha bisavó paterna. Deste lado familiar de origem, veio toda a minha andança nas roças, nos pastos de gado, nos pés de fruta, nas montarias a cavalo. Isso foi se perdendo quando o avó e o avô se mudaram para a cidade. Hoje, parte desta minha herança preciosa se vai com a morte da minha última avó. O seu timbre de voz, seu fogão de fumeiro, seu pote d'água. Mas temos ainda Guimarães, não é? que será eternamente nosso, basta abrirmos uma página. E abro. E um bonito escritor diplomata médico imortal quase nobel e vaqueiro aparece na minha frente, dizendo que nada morreu, que tudo está comigo e estará para sempre. Neste ínterim, recebo a notícia que, na II Conferência Nacional de Cultura, oficializaram no país a profissão de vaqueiro. Só me dá uma alegria ter nascido na minha família, ter um nome que vem do cego Aderaldo, violeiro cantador do sertão, e morar neste lugar e falar esta língua.

sábado, março 13, 2010

dengue


Chovia a cântaros e os sapos cantarolavam nos pântanos e no terreno baldio junto a casa, numa serenata confusa. Um mosquito sofrendo por não saber cantar, afastou-se da sua nuvem e encontrando uma fresta no telhado da casa, adentrou em busca de abrigo. Viu um clarão e se aproximou. Na frente do clarão, uma moça mexia os dedos inquieta e os olhos grudados na luminosidade não observaram as pequenas pedras preciosas fincadas na asa do inseto, como pontos estelares, parte brilhante do seu veneno.
O mosquito, apreensivo e com medo, pensou que a moça também padecesse do seu mesmo mal: uma distância qualquer de tudo que importa. Apressadamente, quis remover a causa da dor, encostando-se levemente em seu peito, num beijo tortuoso.
A moça agora anda prostrada e tudo é lento: movimento, alento, pensamento.
Só uma pergunta permanece veloz no seu delírio: por onde andará o mosquito?

segunda-feira, março 08, 2010

hamsa




Acho mesmo uma verdadeira bobagem mulher ter um dia internacional. Mas pela ocasião da festa do Oscar e da melhor coisa do prêmio, que são os vestidos, não posso deixar de lembrar um dos mais incríveis de todos os tempos, o da Björk, em 2001, de cisne. A cantora era uma deusa pop, montada em seu veículo e a deslizar no tapete vermelho pondo ovos. The oscar goes to Sarasvatī.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

a visão da flor


Ando nestes universos das artes orientais e da ciência. Assim, não há como não ficar encantada por estes dois belos, nobres e curiosos rapazes cabeludos, cheios de línguas, bigodes e barba. Trecho de uma conversinha deles, em inícios do século passado:

TAGORE: Uma vez perguntei a um músico inglês para analisar uma música clássica, e explicar-me quais os elementos que contribuiam para a beleza daquela peça.
EINSTEIN: A dificuldade é que a música realmente boa, quer seja do Leste ou do Oeste, não pode ser analisada.
TAGORE: Sim, e o que afeta profundamente o ouvinte está além da própria música.
EINSTEIN: A mesma incerteza sempre estará lá, é fundamental em nossa experiência, na nossa reação à arte, seja na Europa ou na Ásia. Mesmo a flor vermelha que vejo diante de mim pode não ser a mesma para você e para mim.
TAGORE: E ainda há sempre em curso o processo de reconciliação entre eles, o gosto pessoal em conformidade com o padrão universal.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

carlinha no quintal da nossa casinha




A casa faz anos. Quantos? Não importa. Uma vez me disse assim um amigo: para um orixá, não existe passado, presente ou futuro. Assim, teve ano que dei flor, teve ano que toquei tambor. Teve ano que a rosa foi branca, noutro a rosa foi vermelha. Teve ano que foi um galhinho roubado, noutro um anel, alfazema, papel. Sempre muitos pedidos e agradecimentos, muitos, muitos. Este ano, ao invés do rio vermelho, a fazendinha encantamento, a rua da esperança número um, a mãe e a irmã no mar de jauá,
as três yemanjás.


sábado, janeiro 16, 2010

francisco, um sol

“Nessa encosta, onde é já bem declinante
o seu pendor, um outro Sol Nasceu,
como este quando do Ganges levante.
Portanto, quem citar o berço seu,
não diga Assis, que seria carente,
mas diga Oriente, que bem escolheu”
Dante Alighieri (A divina comédia – Paraíso, canto XI).


Escrevi "Francisco, um sol" para Maicon, este jovem diretor de teatro tão sensível e tão preenchido de entusiasmo pelas idéias grotowskianas. Diz a etimologia que estar entusiasmado é estar cheio de deus.
Alguns anos atrás, Gilberto Gil esteve no Liceu e Maicon, ainda garoto, recebeu o então ministro com algumas palavrinhas inspiradas. O músico retribuiu a gentileza dizendo que ele possuia uma "consciência bailarina". Ora, consciência que dança é coisa de Shiva. Então que Surya, o sol do oriente, ilumine este Francisco!
No Teatro Martim Gonçalves (dom a ter), às 20h.
Ingresso franciscanamente gratuito.




domingo, janeiro 10, 2010

teatro castro alves

Hoje, dia 10, exatamente quatro anos depois do Décimo Encontro dos Profetas populares em Quixadá, comemoramos 2010 com Jeremias no TCA. Naquele encontro conheci quase todos os profetas da chuva que me ajudaram a escrever este textinho. Ali não havia uma profetisa como Dica, a Conselheiro de saias de Goiás. Assim, inventei uma mulher que fazia profecias em forma de trova e dei-lhe o nome de Paruara, que é o nome de um poeta de lá, do sertão do Ceará. Agora, há uma sacerdotisa de Apolo e Dioniso comigo, ao som da sanfona, no palco deste teatro que leva o sobrenome dela e do poeta Cecéu, o menino que escrevia sobre os negros e o condor,
na cidade onde eu nasci.

quinta-feira, novembro 26, 2009

cartas baianas na ufba


Sim, Malhado e a andorinha Sinhá, eu também sou devota do São João do carneirinho. E sou a favor de batismos até em bebedouros.


Deixo imagem de Scorsese, que fez de Andre Gregory um sagrado e imortal João Batista. Em preto em branco, por causa do charme do nosso homem nu com os seus três vestidos cheirando a rosas, jacintos, sândalo e talco.


Foi um prazer estar com todos vocês, escritores baianos, falando de literatura para alunos da nossa universidade federal da bahia.




quarta-feira, novembro 18, 2009

e o barquinho vai...


Há uma poesia do conflito que retorce o espaço. E assim se perde a noção de alto e baixo, céu e terra, matéria e espírito, deus e diabo. Os lugares se profanizam, aumentam-se as curvas - agora elas são a menor distância entre dois pontos. Outras ladeiras se constroem e a cidade de são salvador se reelabora, se multiplica. O nosso olhar é guiado, conduzido,como se a câmara nos permitisse um passeio a-turístico por uma nova cidade.

A cidade se arrasta metaforicamente, camaleônica, fotossintética, arrancandodo ar outros alimentos visuais, corporais. A fotografia é um corpo em movimentocheio de nuances e contrastes. É assimétrica, grandiosa, monumental, retorcida.

É teatral porque é dramática. É música porque é ritmo. É literatura porque traz figuras de linguagem, metáforas, anacolutos, antíteses. É desenho porque Se utiliza da escala como valor plástico de primeira grandeza. É arquitetura Por suas formas ambivalentes, côncavas, convexas, dinâmicas, brincando de esconde-esconde com o nosso olhar, figuras de mostrar, figuras de ocultar. Relevos, contrapontos.

Quem escolhe a trilha para onde devemos nos dirigir é o fotógrafo e seguimos o seu passo. Um passo que quebra a convenção de cidade-patrimônio, mas não a reduz. Recria-se uma inusitada geometria, seduzida pela libertação espacial, um jogo visual que assume nova significação, uma atitude criativa a partir de novas formas que vão gerar novos conceitos. Um barroco contemporâneo?

Que outro sentido maior teria a hoje tão banalizada fotografia senão registrar exatamente aquilo que
não se vê? A fotografia não é um muro, um limite – é um começo. Um movimento que se amplia,
se transforma e com o qual se pode, entre outras coisas, revisitar e reescrever a velha pérola imperfeita.

PARA QUEM AINDA NÃO FOI VER: "PÉROLAS IMPERFEITAS", DE DAVID GLAT, ESTÁ NO MAM ATÉ O DIA 09/12

A fotografia acima é apenas uma das Pérolas Imperfeitas (a do Forte de São Marcelo). E como David é carioca, não resisti à brincadeira com o clássico da bossa-nova. Afinal o forte não parece um barquinho barroco?


domingo, novembro 08, 2009

pérolas imperfeitas


David Glat está com nova exposição fotográfica. Chama-se Pérolas Imperfeitas. Está no MAM e tem abertura amanhã, segunda, dia 09, às 19h. E deixo aqui o convite porque David é o que de melhor existe na nossa fotografia. Depois do MAM, a exposição segue para o Rio e São Paulo.



quarta-feira, novembro 04, 2009


Sexta, dia 06, às 17h, participarei de um evento literário na Academia de Letras da Bahia. O evento é organizado pelo poeta Cajazeira Ramos. O modelo segue a leitura e análise de contos dos escritores convidados, que serão Luís Henrique Tavares e eu. A querida amiga Cássia Lopes, juntamente com o acadêmico João Eurico Matta serão os debatedores. E será um imenso prazer ver os frequentadores desta casa frequentando também aquele belo casarão das letras.

segunda-feira, novembro 02, 2009

30


Não é a forma que gosto de usar, prefiro a imagem que aparece no livro do Shivananda, mas esta é a que mais parece com o número 30.
E também não é para mim, é para você, Amanda, o OM de fogo de computador como presente de aniversário.

domingo, novembro 01, 2009

lars von trier


Anticristo, o polêmico filme do polêmico cineasta dinarmaquês, traz algumas das mais belas cenas que eu já vi no cinema. Acho engraçado ele se auto-intitular o "melhor diretor de cinema do mundo" num bombardeio jornalístico em Cannes. Mas a coragem da afirmação me faz pensar que deve ser boa a sensação de intuir que se pode ser o melhor diretor de cinema do mundo. Dedicou o filme a Tarkovski ("ele era uma espécie de Deus, dedicaria todos os meus filme a ele"), que estando morto, não pode mais ser o melhor diretor de cinema do mundo.

terça-feira, outubro 27, 2009

jeremias no FIAC

Foto de David Glat, com Amarílio Sales e André Tavares
Estamos com a segunda edição do FIAC (Festival Internacional de Artes Cênicas) acontecendo na cidade. E Jeremias, profeta da chuva está na programação nos dias 30 e 31 de outubro na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, às 20h. Para quem ainda não viu, é o momento.