quinta-feira, outubro 15, 2009

toda criança devia ter um cão


Dias destes, passando em frente à Igreja da Piedade e sua bela cúpula de cor púrpura, não, não se vê o púrpura durante o dia e por isso não olhei a igreja, mas soube depois que havia homenagem ao dia de São Francisco. Centenas de crianças e adultos levaram seus bichos de estimação para a igreja a fim de que eles recebessem as bênçãos do santo. Não vi esta deslumbrante cena, vi apenas dois frades franciscanos carregando um andor. E perguntei: para onde vai o santo? E eles: para a casa dele, o santo estava passeando. E imagino o quanto santo deve ter ficado feliz em ver sua casa cheia de bichos que são proibidos de entrar em quase todos os lugares públicos. Felizes deles que tem os lugares privados nos corações de seus donos. Em minha casa, somos cinco filhas. Todas as outras quatro tem cãezinhos de estimação. Eu já tive os meus - alguns - na infância. Um deles, o que mais gostei, Black, morreu atropelado por um caminhão de lixo. Tinha uma mancha na barriga e por isso foi reconhecido. Chorei muitos dias e sempre imaginava que ele havia sumido, que estava por aí, em algum lugar do mundo e que um dia retornaria. Um cão ensina muito uma criança a amar.

terça-feira, setembro 01, 2009

na academia de letras da bahia


O poeta Cajazeira Ramos fez o convite e eu aceitei, claro, participar deste belo encontro com grandes escritores desta terrinha. E levarei o teatro para passear neste belo casarão de Nazaré.
Aos visitantes desta casa: a programação é vasta e acontece sempre na primeira sexta-feira do mês, às 17h. O projeto tem início agora em setembro, no próximo dia 04. Estarei na mesa de novembro. Apareçam!

terça-feira, agosto 18, 2009

andré tavares e fernanda paquelet


Jeremias, profeta da chuva chega nas suas duas ultimas semanas na Sala do Coro do TCA (sex a dom, 20h). E teremos dois novos lindos atores com a gente: André Tavares como Jeremias e Fernanda Paquelet como Jerusah e Josefina. Que uma mãe nonana, uma sereia cearense de batom, proteja-nos nesta nova caminhada.

sábado, agosto 08, 2009

continuidades



Vejo este espetáculo. Ele mora no futuro. Terá um farol ou pedras vulcânicas. E será frio como um beijo guardado. As pessoas ficarão incomodadas e tristes. Um bom homem morrerá. É confortável saber que sempre haverá teatro, mesmo depois que eu estiver morta. A foto é de Jonas Bendiksen, do álbum Satellites. Ou é cenário desta peça improvável.

quarta-feira, agosto 05, 2009

suryanamaskar


Jeremias, profeta da chuva começa com um ritual de saudação ao sol, o Suryanamaskar. As pessoas não sabem do que se trata e por isso o rito-introdução divide opiniões, mas para mim sua presença sempre foi clara: desde a lembrança da saudação sendo aprendida com o maravilhoso ator e diretor da Paraíba, o Luiz Carlos Vasconcelos, do maravilhoso Vau da Sarapalha. E depois também quando eu soube que Padre Cícero - sertanejo de cabeça chata e lindos olhos azuis - era um estudioso do hinduísmo. A primeira cena é intitulada "Experiência com o sol" e no ritual, pedimos que ele venha suave e brando. Que nos ilumine, mas não nos queime. Houve momentos que a conversa com a estrela foi tão boa, que pedi chuva com tanta veemência, que quase cheguei a acreditar que toda a inundação no Maranhão era por minha causa.

sábado, agosto 01, 2009

segunda-feira, feira de santana

Na segunda, em Feira de Santana, acontecerá o I Encontro Literário da UEFS: (Re) leituras. Estaremos eu e vários amigos escritores nas seguintes mesas temáticas:
  • Confissão e ficção na literatura contemporânea.
  • O tecido da ficção: memória, escrita e representação.
  • A palavra e o corpo: a literatura como performance.

Estarei nesta última mesa e, com certeza, falarei também sobre Jeremias, uma palavra e um corpo meus neste momento. O encontro durará 10 horas e será um grande prazer estar novamente em Feira comunicando escritas.

Agradeço então, aqui, o precioso convite.

quarta-feira, julho 29, 2009

segue o que teu coração está ordenando


Os hindus colocaram o sagrado coração num macaco, o Hanuman. Para ver se se a gente consegue entender o sagrado na imanência. Na foto, de peito aberto, Bira Freitas, o meu Lunário Perpétuo, apontando a direção dos ventos para Jeremias, profeta da chuva.

terça-feira, julho 28, 2009

segunda-feira, julho 27, 2009

herança de tirésias



Um haiku de Borges:


a ociosa espada
sonha com suas batalhas
outro é meu sonho











Cego Aderaldo, cantador do sertão

quinta-feira, julho 23, 2009

SEM COMENTÁRIOS



Hoje decidi tirar os comentários do meu blog. Até gostava dos comentários, nunca apareceu nenhum que tivesse realmente me irritado. Pelo contrário, os comentários sempre foram até muito bacanas para um blog tão descompromissado com este. Por causa dos comentários, revi amigos, recebi delicados recados de alunos antigos, elogios de toda sorte, já fui até paquerada anonimamente por cá. Já aconteceu uma ou duas vezes uma coisinha desagradável, mas nada que tivesse feito, na época, eu querer abolir os comentários. Pelo contrário: até gostei de ver gente entrando aqui, na minha morada, para discordar de alguma coisa. Mas hoje pensei que, na verdade, nunca quis mesmo que o blog fosse um diálogo. Ele é um monólogo evidente. E aqui é um daqueles lugares onde exercito um pouco o que pode se chamar de liberdade. É o lugar para eu escrever para mim coisinhas banais de um cotidiano invisível, palavrinhas que não acredito que devam ser jamais impressas. E se alguém quiser escrever algo pra mim, fica o mail, no topo da página, logo acima desta minha foto linda. Sim, linda sim. E agora, sem nenhuma preocupação se vão comentar ou não sobre esta minha falsa modéstia. Na verdade, esta modéstia nem é falsa, pois me odeio nas fotografias: penso que sou muito mais bonita do que sou e quando me olho nas fotos, o que vejo é uma pura decepção. Mas uma pessoa muito querida me disse que nesta foto acima, do lado, estou meio billie holliday meio frida kahlo. Então porque reclamar dos dons de David Glat, que conseguiu me deixar meio artista plástica meio cantora, coisas mesmo impossíveis em qualquer outro lugar além desta foto?
Sim, quem quiser escrever algo pra mim, fica o mail, logo acima da minha foto linda, lá em cima, do lado direito da tela para quem está teclando.
Volto a ficar só neste mar. E imagino que vou mesmo apreciar isso de nadar sozinha.
Foto de Isabel Gouvêa

segunda-feira, julho 20, 2009

sedna

Ainda sem dedos, há abraços. Ainda sem mãos, há abraços. E também há os abraços com os dedos e os abraços com as maõs. Nas águas frias da noite, Sedna abraça um pássaro.

escola da noite


Diz Abel Neves: é nas coisas pequeninas que se vêem as grandes. O seu texto, Este Oeste Éden, teve estréia teatral em Coimbra neste final de julho. E não haveria melhor lugar para um espetáculo de Abel morar senão numa escola que ensina e aprende a noite. Uma aprendizagem da noite: o abraço. Uma aprendizagem possível, não utópica, paradisíaca. Meu caloroso abraço daqui do oeste.

Foto de ensaio, de Pedro Rodrigues

segunda-feira, julho 13, 2009

em paz



Pedacinho do Dao De Jing pra clarear o dia:
A glória suprema não se vangloria
Não esmerar como jade mas rusticar como pedra
Na foto: Ramakrishna, o louco da deusa

sábado, julho 11, 2009

dos bastidores


Ver por trás. Os pequeninos espelhos do xale vermelho se transformam em estrelinhas da escuridão. O silêncio, o rito, a oração para dentro. Meu respeito e amor por este mistério do ser ator. A beleza é tanta que ofusca a vaidade. Eles me representam no escuro. Eles são minha sombra e a minha mão invisível que doma o leão. Estou na voz deles na frente de todo o mundo. Eles estão no meu corpo em segredo, em pacto íntimo. Eles me queimam, me molham, me sujam de terra, me respiram. Minha alma se assusta, sinto dores na cabeça e nos ombros. É tarefa difícil estar e não estar ao mesmo tempo ali, naquele tear. E quem dirá a pausa que eu não fiz? E quem escutará o grito que eu não dei? Arte arteira, esta, com suas travessuras. Então misturo as letras, aprendo a bordar os pedaços de asperezas e desvendo o meu delicado tecido.

segunda-feira, julho 06, 2009

tenho botas vermelhas por causa de você




Ana Paula, Aninha, Ana P, annany, de pelúcia, ana cordeiro, de deus, ana carneirinho, @newyork.com.br. Para você, minha oxum camarão, com suas mãos magras e lindas e longas e que sabem fazer livros, que carregam livros, estantes na alma, biblioteca e cafeteria no piercing do seu umbigo.
Minha suave declaração de amor cá debaixo do Equador. E vestindo uma lingerie preta e vermelha, linda e metropolitana e rubra, como as minhas unhas, vísceras, batom. Uma que eu escolheria com você, nosso mineral, nossa pedra de carvão. Porque dividíamos intimidades. Como doeu, se doeu, se ardeu.
E que bom que lembras de mim nas pequenas bobagens entre os grãos de café. E esquece do tempo embalando meu jeremias. E intuindo o gayatri yantra num copo de chá de letrinhas.
jeremias, jeremias! És um gato? Mias?
Pra você, um brinde, um gole de licor de amêndoa com uma pitada de cachaça de Abaíra (não é de Camaçari nem de Castro Alves, mas serve?).
E ao som dos juramentos de Marina de la Riva.
FOTO: Ana Paula Cordeiro

domingo, julho 05, 2009

cartas bahianas, o terceiro


João Filho, Aninha Franco e Marcos Dias enviam novas Cartas Bahianas e já é a terceira leva da série. Desejo que eles espalhem muito dendê no asfalto quente para esta coleção fritar vários bolinhos. Dia 07, às 07 da noite. É lua cheia e eu estarei lá.