segunda-feira, janeiro 14, 2008

um rio santo

Carranca do São Francisco
Ocorre-me agora falar das portas. Fiquei por este tempo dentro de um lugar com portas. As portas estavam fechadas, mas eu estava dentro: as portas estavam fechadas para os outros, não para mim. Um rio não tem portas, por isso ele é de todos que o desejem. O rio é meu. E me desagrada que queiram inventar portas para o rio. Nas minhas costas, também deita um rio. Ele é caudaloso e brilhante, da nascente à sua foz. Às vezes, ele parece ter portas, mas é só uma impressão, pois o seu curso ora é livre, ora intermitente. Por causa dele, escrevo. Para entender os seus afluentes. Por causa dele, faço teatro. Para imaginar até onde ele se estende.