domingo, fevereiro 11, 2007

artistas da fome


As belas comem menos
As santas comem menos
Um creme de amendoim coberto com castanha crocante caramelada
E eu fui ao paraíso
Santa Catariana de Sena(1347-1380), uma jejuadora.

sábado, fevereiro 10, 2007

me nina, menina!

Acontecem festejos na cidade para uma menininha do gantois, filha de oxum e mãe de santo amada pelas gentes e pelos rios e pelas pedras.
São cantos, danças, palestras, lançamentos de livro, selo, comemorações de aniversários e o início de um ciclo de cerimônias fúnebres.

Eu, que também gosto dos rios e dos espelhos e dos outros espelhos e balanços que as águas dos rios e dos mares fazem, peço emprestada esta canção para oferecer como um axé a Maria Escolástica da Conceição Nazaré:

"Embala eu, embala eu, Menininha do Gantois, embala pra lá, embala pra cá, Menininha do Gantois, e tira os olhos grandes de cima de mim pras ondas do mar"


foto: david glat


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

quase-fábula do aquecimento

Amazonas são mulheres guerreiras que mergulham em lagos de lua e carregam no pescoço amuletos de jade em formatos de anfíbios.
Amazonas também é um lugarzinho onde os meus ancestrais se prostituem por um pacote de biscoitos perto de uma floresta linda, um pequeno Éden feito de terra, água,ar e ocasionalmente fogo.
Neste lugarzinho, o sol aparece todos os dias para o café-da-manhã. Porém, ao entrar, meus senhores, muita cautela e educação: lavem as mãos, banhem os corpos, mas não liberem maus odores, pois o sol vira uma fera.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

para fábio vidal




...que está em cartaz na cidade com Velôsidade...


Uma pequena participação especial ficcional virtual:

[Nos meus primeiros indícios de adolescência, eu tinha um sonho erótico com Caetano Veloso: fazíamos sexo e amor até mais tarde em cima de uma lápide do cemitério da minha cidade do interior ao som do auto-falante que cantava Não identificado com a voz do santo amarense... "eu vou fazer uma canção pra ela/ uma canção singela, brasileira/ para lançar depois do carnaval /minha canção há de brilhar na noite/ no céu de uma cidade do interior/ eu vou fazer uma canção de amor/ para tocar num disco voador..." e quando ele dizia brasileira, é verdade, eu juro, dava uma sensação física sexual qualquer de patriotismo e eu ia conhecendo os meus primeiros pontos do alfabeto íntimo: gemidos, gritos, gozo. Caetano foi o meu primeiro tesão, sonho, delírio, masturbação, sentimento de pertencimento à baía e ao recôncavo, do litoral ao interior. Acordada, eu o ouvia e lia e sorria e sonhava outras coisas. Tanto, que num dos meus únicos excessos de álcool da vida, voei de asa-delta e quando desci, caminhei contra o vento feito uma louca, quase bêbada, debaixo de um sol quente, moleton cobrindo os braços e as pernas nuas correndo pelas areias de busca-vida. Um amigo fez um registro disso e um pombo-correio levou para a ave canora. Caetano, eu sei que eu não preciso perguntar se foi bom pra você.]

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

visão narcísica


Uma deusa! - diriam.

E eu digo: linda, perfeita, irretocável.

Mas será que a mecha caída na fronte não
está a esconder uma pálpebra levemente adoentada?

domingo, fevereiro 04, 2007

sabores


Último dia para ver a foto-instalação Torta Xadrez II, do fotógrafo David Glat. Está exposta no Mam (Solar do Unhão, Avenida Contorno). Não deixo aqui um registro para que vocês não deixem de desgustar um pedaço da torta lá no museu.


Mas deixo outro sabor: "O cego", do mesmo fotógrafo. E vem com a sanfona, este meu instrumento favorito, que respira música pelo fole, o seu coração.

freud



Tive um professor que matou o pai.

Era um filósofo, um esteta. Um homem educado, inteligente. E matou o pai.

Na época tentei entender a sua causa, e acho que compreendi.

Mas me causou um enorme desconcerto vê-lo ontem, em liberdade, ao meu lado, na fila do cinema.

sábado, fevereiro 03, 2007

uai


Hoje, no caderno Pensar do Jornal Estado de Minas, uma entrevista comigo feita pelo escritor Carlos Herculano Lopes.

Do Carlos Herculano, em O vestido: "...e se às vezes voltam, em frias noites de insônia, são somente sombras, e nada mais."

Vestido elétrico, de Atzuko Tanka

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

odoyá


Do mar do rio vermelho vem a brisa com o cheiro de rosas brancas. Ou será o hálito de Iemanjá soprando no meu ouvido: "nada, nada!" ?

dona iemanjá




Casa da mãe joana é uma morada de coisinhas variadas que se inicia hoje, no dia 02 de fevereiro de 2007, dia de Iemanjá. E as portas da casa estão abertas a todo querer. A imagem ao lado repousa em Copenhague. E é uma homenagem a Hans Christian Andersen e à sua Pequena Sereia. Conta o conto: uma pequena sereia, apaixonada por um homem mortal, recorre uma bruxa para que possa assumir uma forma humana e assim se aproximar de seu amado. No processo acaba abrindo mão de sua imortalidade e perdendo a capacidade de falar. Para que o encantamento se tornasse permanente, a pequena sereia, haveria de conquistar o amor de seu escolhido. Caso contrário haveria de se transformar em espuma do mar, algo mais terrível que a própria morte, uma vez que sereias não tem alma, não podendo assim morrer.
A sereiazinha acaba falhando em seu propósito. Comovida com sua situação, suas irmãs fazem um trato com a bruxa do mar. Em troca de suas belas cabeleiras, a bruxa lhes dá uma faca, com a qual a pequena sereia deveria matar seu amado. Desta forma, estaria livre de seu triste fim. Entretanto, ela, em nome do amor, abdica da própria existência e ao fim desaparece nas águas em forma de espuma do mar.